Sem os jovens, comunidades sem futuro

Sem os jovens, comunidades sem futuro

Barcelona (Espanha). "Acompanhar os jovens para responderem livremente ao chamado de Cristo" é o tema do Simpósio europeu sobre os jovens, promovido pelo Conselho das Conferências Episcopais da Europa (CCEE), em colaboração com a Conferência Episcopal Espanhola e a Arquidiocese de Barcelona e realizado em Barcelona de 28 a 31 de março de 2017.

Reuniram-se 257 participantes entre bispos, responsáveis pela pastoral juvenil, escolar, universitária, vocacional e pela catequese das Conferências episcopais na Europa, para se confrontarem e discutirem o tema do acompanhamento dos jovens.
Presentes os delegados da Família Salesiana de várias partes do mundo: Dom Joaquim Mendes, SDB, bispo auxiliar de Lisboa; Pe. Rossano Sala, SDB, Delegado da Santa Sé; Pe. Marcelo Farfán, SDB. Coordenador das Instituições Salesianas de Educação Superior (IUS); Pe. Jacky Doyen, SDB, Responsável nacional da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal da Turquia, Pe. Michal Wocial, SDB, Vice presidente da Comissão da Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal da Ucrânia da Igreja latina; Pe. Radek Gottwald, SDB, Responsável nacional da Pastoral Juvenil da República Tcheca; Ir. Anna Zainchkovska, FMA, Secretária da Comissão de Pastoral Juvenil da Conferência Episcopal da Ucrânia da Igreja latina e uma VDB.

«Os jovens sejam portadores convictos da alegria do Evangelho em todos os âmbitos». Este o encorajamento dirigido pelo Papa Francisco a todos os participantes do Simpósio europeu sobre os jovens...possa ser uma ocasião de «reflexão sobre os desafios da evangelização e sobre o acompanhamento dos jovens» para que, «mediante o diálogo e o encontro, e como membros vivos da família de Cristo», as novas gerações possam anunciar o Evangelho em cada âmbito da vida.

Os trabalhos aconteceram com um percurso em três etapas que, partindo dos jovens e de uma reflexão sobre os desafios do acompanhamento à luz do contexto sociocultural europeu atual, foi concluído sobre a figura do próprio acompanhante, a sua formação, as suas exigências. Estas três etapas foram aprofundadas através da troca entre os participantes de "boas práticas" e uma apresentação-visita à Sagrada Família, como exemplo de anúncio do Evangelho e de acompanhamento das pessoas através da arte e da arquitetura.
Os jovens? Não são «uma das coisas importantes» mas «a» coisa importante para a comunidade cristã, porque sem eles «não existirá uma Igreja no futuro» foi o apelo de Jean Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo. Segundo o prelado «a Igreja tem o dever de estudar as diversas culturas juvenis para entender o que elas exprimem». Trata-se, em resumo, de «ir lá onde os jovens estão», que hoje são muitas vezes «nowhere people», «pessoas sem um lugar, sem uma direção», como os definiu o cardeal Vincent Nichols, arcebispo de Westminster e vice presidente do CCEE.

E a grande questão sobre o trabalho do Simpósio se refere mesmo às estradas a serem percorridas hoje para chegar aos jovens. Uma permanece ainda, aquela que a Igreja abraçou em 1984, com a realização das Jornadas mundiais da juventude, como testemunhou Pe. João Chagas, responsável pela seção jovens, do Dicastério para os leigos, família e vida. O sacerdote brasileiro, de fato, falou da sua experiência como acompanhante dos jovens peregrinos às JMJ: «Compartilhar com eles também as dificuldades e os sacrifícios exigidos por uma JMJ me permitiu estar ao lado do coração dos jovens, que justamente nessas ocasiões se sentiram livres de abrir-se».
Na aula magna do Seminário de Barcelona foi dado espaço depois para as vozes dos jovens e suas histórias de vida, marcadas muitas vezes por profundos sofrimentos interiores. Carlota Cumella, jovem espanhola de 20 anos, contou que graças à experiência da JMJ de Madri e o acompanhamento de um padre que soube compartilhar suas angústias, superou o próprio «ódio de Deus» e descobriu rosto amoroso do Senhor». Igualmente tocante a história da jovem albanesa Jona Dracini, estudante de medicina, crescida em uma família muçulmana, que recebeu o batismo um ano atrás.

Os jovens de hoje – destacou o cardeal arcebispo de Valencia, Antonio Cañizares Llovera – "devem descobrir que vale a pena ser Igreja. Devem perceber que os amamos e confiamos neles, devem se sentir bem vindos , saber que a Igreja lhes quer bem, os acolhe, confia neles, crê que os jovens podem construir o mundo do novo milênio. Devem sentir que são a esperança do mundo e da Igreja".

O arcebispo de Genova, o Cardeal Angelo Bagnasco, Presidente do CCEE, no último dia se deteve na figura do educador e na sua missão educativa no contexto atual, caracterizado por uma "cultura do nada": «O educador cristão deve antes de tudo olhar para Jesus, verdadeiro e único mestre. Se a cultura contemporânea "parece não ter nada a dizer aos jovens, nada de significativo que aqueça o coração e preencha a vida", na pessoa de Jesus "resplendem todas as virtudes humanas de forma eminente, resplende a plena humanidade do homem, aquela humanidade que nosso tempo corre o risco de não mais reconhecer, reduzindo a pessoa a uma forma líquida» E concluiu: «Olhamos as jovens gerações com grande simpatia e confiança; a elas tocará serem os novos evangelizadores, na convicção de que evangelizar hoje significa ensinar aos homens a arte de viver! O nosso é um tempo maravilhosamente árduo, é a hora que a Providência nos deu, abracemo-la com confiança e amor (...). Sim, queremos vivê-lo bem, começando por mudar a nós mesmos e ajudando-nos uns aos outros».

Depois do documento preparatório "Os jovens, a fé e o discernimento vocacional" e na espera da difusão do questionário do Sínodo dos Bispos ( Santa Sé) endereçado aos jovens de todo o mundo, o Simpósio europeu representou uma etapa significativa do caminho que levará a Igreja a celebrar em outubro de 2018 um Sínodo sobre "jovens e vocações".
Os trabalhos de Barcelona serão levados diretamente ao Sínodo e servirão de base para a reflexão da próxima assembleia plenária do CCEE ( Minsk, 28 de setembro – 01 de outubro de 2017) centrada sobre os jovens, através da qual o CCEE entende oferecer aos padres sinodais uma sua contribuição específica.

Escrever comentário
Não há comentários a esta entrada.
Seja o primeiro a comentar!

OK Su questo sito NON utilizziamo cookie di profilazione, ma solo cookie tecnici e/o per il monitoraggio degli accessi. Se vuoi saperne di più clicca qui. Cliccando sul pulsante OK presti il consenso all'uso di tutti i cookie.